Falando sobre o episódio dos Aflitos

junho 6, 2008

Muito tardiamente, resolvo escrever sobre o episódio sobre a confusão entre Náutico e Botafogo, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Mas fazer o quê? Não deu. Mesmo assim, eu quero opiniar sobre esse caso, que é uma questão polêmica, mas é preciso analisá-la com muita calma, ainda mais, para um gremista (pelo que viu na Batalha dos Aflitos), por um botafoguense ou por um torcedor do timbu, ou até mesmo qualquer torcedor pernambucano.

Primeiro, quem começou com a confusão foi o jogador André Luíz, do Botafogo, que estava completamente descontrolado. A sua expulsão, resultado pelo segundo cartão amarelo, é polêmica, mas compreensiva, a ponto de imaginar que o carrinho foi ríspido e por trás, mesmo que tenha sido na bola, é um lance perigoso, passível de interpretação do árbitro. E mesmo que o árbitro Wilson Luiz Seneme tenha errado (e erra mesmo, geralmente, não gosto de suas atuações), nada, absolutamente nada, pode justificar a atitude do zagueiro alvinegro, como chutar a garra, fazer gestos obscenos para a torcida do Náutico, não sair do campo, como todo jogador expulso deve fazer e se comportar de maneira que só complicasse a já difícil relação com a PM de Pernambuco. Com certeza, André Luiz receberá uma punição do STJD, no julgamento marcado para próxima quarta-feira.

Outro ponto a ser analisado é a truculência da PM, mostrando mais uma vez, que a PM brasileira não tem condições de lidar com um espetáculo. Os policiais estão lá para manter a ordem entre os torcedores, e em caso extremo, de proteger o árbitro (sem caso de agressão sem sentido), e nada mais. A PM não tinha nada que ir ao banco e tirar o André Luiz, isso não é de responsabilidade deles. E Seneme nem sequer pediu a ajuda deles. A partir daí, ocorreu uma sucessão de erros, tanto do André Luiz, que descontrolado, piorou uma situação já complicada, tanto pelos policiais, que fizeram uma tempestade num copo d’água. Afinal, considerar naquele contexto uma situação de desacato à autoridade, não há sentido nenhum, pois não se trata de algo do dia a dia de uma cidade, e sim de uma pessoa que está fazendo parte de um jogo de futebol, onde pode perfeitamente, falar aquilo que não deve. E para agravar, a PM comete uma atitude irresponsável de fazer um trajeto que deixava o jogador ao lado da torcida. Ou seja, tudo errado!

 

Truculência da PM que também ocorreu na Batalha dos Aflitos, quando um policial atingiu o Patrício de forma covarde, sem que o jogador tivesse a oportunidade de se proteger. Mas é preciso deixar claro, que isso ocorre em todo o Brasil. No Olímpico, eu sei muito bem, a relação entre torcedor e a Brigada Militar não é nada boa, sendo que estes, abusam de sua autoridade, não distinguem de quem é culpado ou não (desce o cacete em qualquer um que aparece na frente, eu já testemunhei isso no Olímpico, e também já vi em vários estádios brasileiros). Isso não é um problema exclusivo de tal estado, é preciso deixar bem claro, que abuso de policial em eventos esportivos ocorre em todo país.

Outra questão, muito grave, que também ocorreu na Batalha dos Aflitos, é o fato das portas dos vestiários estarem trancadas. E se houvesse uma invasão generalizada, o que os jogadores fariam? Iam para o pau com os torcedores? Tal situação é um absurdo. Aí eu não sei bem ao certo, de quem é a culpa. Do Náutico ou da Federação Pernambucana de Futebol. Mas tal ato, não pode passar impune para o responsável.

No entanto, o Náutico recebeu a pena do STJD, que resultou na interdição dos Aflitos. Só que o motivo que levou a isso é um dos maiores absurdos que já vi. Afinal, tomar tal decisão por conta do gramado do estádio, só pode ser piada. Não por conta dos estádios com gramados vergonhosos não merecerem punição, merecem sim, mas pelo momento totalmente inoportuno para isso. Por que só agora? Por que o estádio da Vila Capanema e diversos outros que mais parecem campos de várzea, não receberam a mesma punição imediatamente? Por que só os Aflitos? Isso é ridículo. Além dessa vergonhosa argumentação, subtende-se que o STJD está punindo o Náutico por conta do comportamento da PM, mas o Náutico não tem poder em controlá-los. Então, que maravilha, é erro do começo ao fim. Apenas lamento, pois isso é mais uma página triste do futebol brasileiro. E que venha a Copa de 2014.


Caça ao Wagner Tardelli

maio 27, 2008

Parece que Wagner Tardelli tem um problema sério com os clubes paranaenses. Depois dos erros de Internacional 5×1 Paraná, desta vez foi a vez do Coritiba reclamar de Tardelli. O Coxa reclama da não marcação de dois pênaltis (um deles, não vi) e garante que vai tomar providências para colocar o árbitro na geladeira. Olhe, eu achei pênalti no lance entre Alex Silva e Rubens Cardoso, mas nada que seja escandaloso, não como foram os lances com o Paraná. Mas a verdade é que o Tardelli é muito ruim, inacreditável que ele seja árbitro FIFA. Só pelo que ele fez nesse jogo, já seria algo apto para suspensão do árbitro. Mas há árbitros, digamos, protegidos pela comissão de arbitragem da CBF. Vale lembrar que no ano passado, Carlos Eugênio Simon não marcou um pênalti escandaloso entre Atlético Mineiro e Botafogo, pelas quartas-de-final da Copa do Brasil, no lance em que o zagueiro Alex (atualmente no São Paulo) faz claramente a penalidade em Tcho, impedindo que o Atlético tivesse direito a empatar o jogo em 2×2, o que lhe daria a classificação. E claro, Simon que cometeu um erro escandaloso, a poucos metros do lance, não foi punido. Mas a Ana Paula de Oliveira, auxiliar que marcou dois impedimentos contra o mesmo Botafogo, desta vez nas semifinais contra o Figueirense, passou por dois lances difíceis, com necessidade de vários replays para chegar a uma conclusão (algo que o árbitro e os auxiliares não possuem) e mesmo assim, foi afastada e passou meses sem “bandeirar”. Por isso, que eu acho que o Tardelli não será punido. Não merece, ao meu ver, pelo lance de um possível pênalti entre São Paulo e Coritiba, mas sim pelos lances entre Paraná e Internacional, e entre outros erros, afinal, quando Tardelli entra, todos torcedores conhecedores de futebol ficam com um pé atrás.